Objetivo existencial por Rogério Coelho

Engana-se quem pensa que o objetivo de nossa existência reside tão somente na simples conquista dos perecíveis valores materiais. É evidente que não se pode descurá-los totalmente, mas não ao ponto de sermos por eles escravizados, pois como dizia o nobre escritor francês, Antoine de Saint Exupéry, o essencial é invisível aos olhos.

Segundo Divaldo Pereira Franco, o objetivo existencial é desenvolver o Cristo Interno. Daí afirmar a nobre mentora Joanna de Ângelis[1] que ninguém vive realmente sem objetivo existencial. Segundo ela, o ser humano suporta qualquer tipo de perda, naturalmente dentro dos seus limites emocionais, não, porém, a perda do objetivo existencial.

Completa a Mentora Amiga1: (…) se o indivíduo perde a motivação para o crescimento interno e a conquista de valores externos, porque se encontra sob recriminação e culpa, incerteza e desinteresse existencial, a sua se torna uma jornada exaustiva e enfermiça, porque destituída de ideais e de realizações.

A existência saudável é dinâmica, referta de ações exitosas e malsucedidas, que se inter-relacionam em um panorama de acertos e de erros, enganos esses que se convertem em aprendizagem para futuras conquistas que enobrecem o ser humano.

A vida sem sentido é uma experiência sem vida. O vir-a-ser dá sentido existencial à vida, promovendo-a e dignificando-a, tornando-a saudável e bela.

Estabelecido, portanto, um roteiro psicoterapêutico valioso ou organizada uma simples proposta de bem-estar pessoal, o vir-a-ser é essencial na estruturação da saúde do indivíduo, que se trabalha motivado para alcançar o objetivo da existência humana, que é a busca da felicidade.

Em uma belíssima página do Espírito Benedita Maria, psicografada por Raul Teixeira e intituladaIdentificar a razão de viver, lemos[2]: É muito triste ver alguém utilizar um corpo físico, durante anos e anos de existência na Terra, sem ter a menor noção do que deve fazer no mundo. E não é pequeno o número de pessoas que vivem assim: quase sempre são criaturas que cresceram num caldo insosso de imaturidade. Aprenderam que a vida se resume em festas e roupas, em penteados e moda, em esportes e passeios, em contínua figuração social para se mostrar aos outros. E porque se acostumaram nessa excitação, permaneceram na casca da existência, sem mergulhar na polpa deliciosa da vida.

Nesse número contam-se também os que acreditam que estão no mundo apenas para trabalhar e endinheirar-se, para comprar e comprar mais num constante consumismo…

Opostamente, aparecem os que creem que tudo o que ganham em suas atividades financeiras deve ser guardado, sempre mais bem guardado, sem saberem o que fazer com sua riqueza guardada.

O tempo da existência vai passando, sem que esses corações se perguntem qual a razão de viverem como estão vivendo; onde é que pensam chegar com o estilo de vida que adotaram; que compensações duradouras o modo de vida por eles vivido lhes tem trazido. Andam realmente às cegas pelos caminhos, pensando que é assim mesmo que deve ser ou angustiados por não conseguirem uma resposta que lhes ajude a refazer os rumos.

É preciso sempre fazer alguma pausa na agitação da vida diária, a fim de olhar fixamente para tudo o que se está fazendo e averiguar se há um sentido oportuno e bom para a vida e perceber se não se está atirando fora o tempo precioso da existência.

O tempo da vivência terrestre pede sempre que lhe demos um sentido útil, que procuremos saber qual é a razão de fazermos o que fazemos e de ser como somos, pois não há nenhum significado passarmos tanto tempo pelas experiências do corpo biológico, de enfrentarmos tantas dificuldades, de superarmos variados embates com os dramas humanos, sem que tenhamos consciência de sua razão.

Não se deixe viver inconscientemente. Para tudo o que você fizer ou deixar de fazer, que haja um sentido claro ou uma ponderável razão.

Será importante que não se neurotize a ponto de querer achar razões filosóficas para tomar sorvete ou um refresco à beira-mar ou num banco de praça. Porém, quando se tratar de ações que terão peso sobre a sua vida, aí sim, busque sempre uma razão para fazê-las.

Procure encontrar e compreender os motivos pelos quais Deus o situou no mundo, no tempo presente, em meio às realidades em que se acha, e não viva ao sabor da sorte. A sua estada na Terra é muito importante para que você se deixe viver sem razão.     

 

1 – FRANCO, Divaldo Pereira. Triunfo pessoal. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: LEAL, 2002. p. 91-93.

2 – TEIXEIRA, José Raul. Todos precisam de paz na Alma. Pelo Espírito Benedita Maria. Niterói: Fráter, 2015. p. 53-54.


Artigo do Jornal Mundo Espírita - Out/2015