Os missionários fracassam?

“Recorda que as leis planetárias não afetam somente os espíritos em aprendizado ou reparação,
mas, também, os missionários da mais elevada estirpe.”
(“Renúncia” – Emmanuel/Chico Xavier)

 

Fácil elencar os obstáculos que nos desafiam no planeta em que vivemos, nestes instantes de perturbação generalizada.

As labaredas do sexo sem compromisso vão consumindo corpos e mentes. Crimes passionais e doenças venéreas em suas negras estatísticas assustam autoridades médicas e policiais.

O egoísmo, pelos braços sufocantes da ambição, vem desencadeando injustiças sociais identificadas pela ONU, que nos fala em quase 1 bilhão de famintos, em sua maioria crianças.

Mas, há males sutis que a humanidade, ainda espiritualmente grosseira, não considera. Pelo contrário, costuma incentivar como agentes de progresso material. A vaidade exarcebada e o orgulho pretensioso estão entre eles.

São sentimentos condenáveis que se insurgem como flores mal cheirosas. Agradam na aparência e se tornam insuportáveis, quando a proximidade nos faz respirar seus fétidos odores.

Quantos de nós, religiosos ou não, vestimos as coloridas fantasias do nosso exibicionismo, para agradar nos aspectos exteriores, seduzindo os que convivem no universo dos nossos interesses pessoais?

Na ânsia incontida de aparecer, orgulhosos e vaidosos descontrolados, tudo fazem para eliminar os que lhe fazem sombra pela competência e dedicação. Não suportam os que despontam pelo espírito de serviço, pelo alto nível de suas contribuições, que se fazem superiores às suas pretensões.

Atuam sem respeito aos limites impostos pela fraternidade que deve ordenar as relações entre seres e povos.

Esses flagelados da alma, no absurdo de suas posições, optam por decidirem sozinhos, desvalorizarem o conjunto, buscam o auto-relevo, sufocam o esforço alheio, quando não caluniam ou fazem uso da força, menosprezando o que não lhes pertence.

Foram desatinos desse teor que levaram ao fracasso de suas missões personalidades como o rei Davi, que nos deu os salmos; o rei Salomão, conhecido por sua sabedoria; Judas Iscariotes, hábil negociante; Constantino, o imperador-vidente…

Um dos mais clamorosos, foi a retumbante queda de Napoleão Bonaparte.

Emmanuel, em “A Caminho da Luz”, psicografado pelo amoroso e humilde Chico Xavier, informa que “o velho corso estava destinado a uma grande tarefa na organização social do século XIX (…)”. “No entanto, bastaram as vitórias de Árcole e de Rívoli, com a paz de Campo-Fórmio, em 1797, para que a vaidade e a ambição lhe ensombrassem o pensamento.” Lamenta, acrescentando: “verdade é que ele foi um missionário do Alto, embora traído em suas próprias forças.”

Mais tarde, derrotado e humilhado, ralado de intensos sofrimentos, amargou a solidão na fatídica Ilha de Santa Helena, aguardando a morte, para novos e intensos sofrimentos.

A história relaciona centenas, milhares de casos menos conhecidos, mas igualmente dramáticos.

Em se tratando de espíritas, a gravidade ganha contornos preocupantes, pelo amplo conhecimento que adquiriram com as luzes da Doutrina Consoladora, que projeta nossas consciências para as gloriosas dimensões da vida eterna.

Aí melhor se aplica “a quem muito foi dado, muito será pedido”, consoante a sábia advertência do Cristo.

Obras da literatura espírita chamam nossa atenção para os relatos dolorosos de médiuns oradores, dirigentes desencarnados que caíram nas ciladas da vaidade e do orgulho. Depois de estágios angustiantes nas camadas mais densas da Espiritualidade, sofrem o desespero de terem que reencarnar em situações bem mais difíceis.

Basta-nos consultar “Os Mensageiros”, “Instruções Psicofônicas”, “Vozes do Grande Além”, entre outras, da lavra de Chico Xavier.

Psicografadas por Divaldo Franco, “Tormentos da Obsessão”, impressiona pela veemência dos fatos.

Quando o Mestre Jesus subiu ao monte das bem-aventuranças, para afirmar que somente os humildes terão o reino dos céus, excluiu propositalmente os orgulhosos, por estarem psicologicamente adoentados.


Editorial do Jornal Mundo Espírita - Agosto/2008