Na morte, uma lição de vida!

“Não se queixem, trabalhem. Acreditem nas pessoas. Deem o melhor de si. Estejam preparados, pois ‘a sorte favorece a mente preparada’, como disse o médico francês Louis Pasteur.”

Dessa forma, o professor Randy Pausch, da Universidade Carnegie Mellon, de Pittsburgh, concluía sua última aula.

Pausch, com apenas 47 anos, foi aplaudido de pé por mais de 400 pessoas, demoradamente.

A Editora Hyperion pagou US$ 6,7 milhões para publicar uma versão ampliada do seu discurso que durou 1 hora e 16 minutos. O livro “Lição Final”, já traduzido para o português, está entre os 10 mais vendidos nos EUA. Nele, não há uma só linha de revolta ou indignação diante da morte física.

Mais de 2 milhões de pessoas visitaram o site You Tube, onde está a palestra, em apenas poucos dias.

Seu nome acaba de figurar entre os 100 mais influentes do mundo, segundo a revista Times.

Casado e pai de três filhos, prossegue fazendo conferências sobre a felicidade, a valorização da família e a realização profissional, sempre com  impressionante otimismo.

Mas… ele está desencarnando! Sofre de um câncer no pâncreas, com metástase, que vai atingindo as partes vitais do seu organismo como os rins e o coração.

Desenganado, resta-lhe poucos meses de vida.

Sua atitude de grandeza espiritual está comovendo o mundo. Sua história está na mídia das nações ocidentais e orientais, propondo auto-ajuda aos doentes terminais. Objetiva passar serenidade e aceitação diante da morte.

Ama intensamente os filhos, 3 crianças de 2 a 6 anos, e deixou para eles uma grande quantidade de fitas educativas, onde ele aparece brincando com os próprios filhos e a esposa, rindo e passando orientações.

Não é espírita, no entanto, vive como se fosse.

Donde tira tanta convicção e firmeza de caráter? De que fonte promana sua fortaleza interior, que impressiona a sociedade humana, como vimos?

“Na consciência”, responderam os Espíritos, na questão 621 de “O Livro dos Espíritos”, ao serem indagados: “Onde está escrita a lei de Deus?”

Manoel P. de Miranda, pela confiável psicografia de Divaldo Pereira Franco, em “Temas da Vida e da Morte”, no capítulo “Temas da Morte”, diz-nos:

“O exercício mental e o natural desapego das ilusões favorecem a confiança na sobrevivência, anulando o injustificável medo da morte. Para tanto, faz-se mister o amadurecimento último que decorre da vivência equilibrada(…). O homem deve pensar na morte conforme pensa na vida.”

Ao espírita acresce a necessidade do estudo que a Doutrina nos traz, privilegiando-nos com a certeza da imortalidade, da existência de Deus, de sua absoluta justiça e das “muitas moradas” onde, numa delas, encontraremos os que amamos e os que nos amam para a glória da Eternidade.

Emmanuel, em “Pensamento e Vida”, pelas mãos de Chico Xavier, nos adverte que “tudo que foge à lei do amor e do progresso, sem a renovação e a sublimação por bases, gera o enquistamento mental”; ou seja, sem fraternidade e sem sinceridade em nossos atos, seremos como aqueles artistas cênicos que passam fantasia no palco e choram amargamente seus fracassos emocionais na vida real.


Editorial do Jornal Mundo Espírita - Julho/2008