A pior das crises

Poucas vezes, na história da humanidade, a imprensa mundial noticiou tantas crises.

Crise familiar, crise financeira, crise social, crise industrial, crise de emprego, crise religiosa, crise moral…

Há nos corações uma crise de esperanças.

Em 1935, o sábio Emmanuel, pelas mãos diligentes de Chico Xavier, em “Palavras do Infinito”, já chamava atenção para o fenômeno: “A alma humana, dentro dessas vibrações antagônicas, perde-se num emaranhado de conjecturas e sofrimentos” e arremata, reduzindo todas elas a uma só: a de “ordem espiritual”.

Sobejas razões tinha o Cristo quando nos advertiu que não devemos servir a “dois senhores”. Em nossa “ansiosa solicitude pela vida”, fizemos a opção errada pelo materialismo, com graves prejuízos para todo o planeta.

Somos todos personagens destes mesmos dramas, construtores de nossa própria infelicidade.

Comentando a missão do Espiritismo, Allan Kardec admitia a existência de “um fermento de incredulidade que unicamente o tempo aniquilará”.

Daí derivou a questão 799, de “O Livro dos Espíritos”, em que indaga:

“De que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?” de imediato, os benfeitores foram conclusivos: “Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz os homens compreenderem onde se encontram seus verdadeiros interesses”.

Com a visão da vida futura, com o conhecimento das leis de Deus e sua aplicação, as crises desaparecerão, porque as suas matrizes serão implodidas pela fé renovadora.

Dos espinheiros jamais alguém colherá rosas, como uma roseira não produzirá urtiga.

A competição desvairada, os vícios, a corrupção, a delinquência, o flagelo moral, a permissividade sexual, a ganância, cultuados por quase toda a espécie humana, voltam-se contra o próprio homem, mentor consciente de seus atos. É a lei de causa e efeito atuando no plano coletivo.

Do indivíduo que subtrai canetas, borrachas e papel de seu empregador, dos pais que descuram a educação dos filhos, do jovem que picha o patrimônio alheio, do empresário insensível e alucinado pelo lucro, do operário indiferente, dos profissionais mercantilizados, dos políticos usurpadores… é que vêm as crises.

São os escândalos a que se referiu o Mestre Jesus. Mas “ai daqueles que forem os instrumentos de escândalo”, lembraria o Divino Pastor.

Sempre soberbos, desprezamos os sagrados ensinamentos evangélicos que nos apontam os recursos seguros da felicidade plena. Por isso, recebemos, agora, mais intensamente, as consequências de nossos desatinos.

Ouçamos o Conselheiro Celestial, empreendamos a reação, começando em nós a mudança de hábitos, a modificação de comportamentos, a redução dos desejos e da ansiedade.

Na Doutrina Espírita estão todos os meios de nossa libertação, basta-nos buscá-los.


Editorial do Jornal Mundo Espírita - Junho/2009