Deus é justo e só faz o bem por Rogério Coelho

“(…) Ah! Crede-me; respeitai a soberana vontade e não
procureis sondar a razão dos decretos da Providência!”

Éraste[1]

 

Se existia uma coisa que tinha o dom de apagar o sorriso nos lábios de Chico Xavier era ouvir alguém dizer que não acreditava em Deus.

Pensávamos inicialmente que tais descrentes só podiam ser encontrados em meios de extrema ignorância, mas (infelizmente) não!  Criaturas portadoras de alta e refinada intelectualidade existem que partilham tal descrença.  Chegamos a conhecer alguns desses infelizes e ficávamos a pensar como pode o mesmo cérebro albergar – ao mesmo tempo – tanta inteligência e tamanha estultícia!?

Não é sem motivo que – certa vez – Jesus proclamou[2]: “Graças te dou, ó Pai, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos e, as revelaste aos pequeninos”.

Recentemente um famoso cantor brasileiro mostrou-se muito feliz e honrado por estar no mesmo avião no qual viajava um laureado pelo Nobel, em visita ao Brasil, dizendo:   - Que sorte Deus me deu!  Viajar no mesmo avião de um ganhador do Nobel! 

Ao que o laureado ripostou secamente:

- “Se Deus existe, esqueceu-Se de Santa Catarina”.

Isso prova que até cérebros privilegiados quão sofisticados podem estar limitados por grande obtusidade espiritual.    Quem sabe – um dia – o conspícuo laureado ainda vai ter a felicidade de ler um texto de Kardec (como o que se segue)1 e que explica que Deus não só existe como é justo e só faz o bem:

“(…) A justiça de Deus, às vezes tardia, nem por isso deixa de atingir o culpado. É altamente moralizador o saber-se que, se grandes culpados acabam pacificamente, na abundância de bens terrenos, nem por isso deixará de soar cedo ou tarde, para eles, a hora da expiação.   Uma existência honrosa não exclui as provações da vida, que são escolhidas e aceitas como complemento de expiação — o restante do pagamento de uma dívida saldada antes de receber o preço do progresso realizado.

Considerando quanto nos séculos passados eram frequentes, mesmo nas classes mais elevadas e esclarecidas, os atos de barbaria que hoje repugnam; quantos assassínios cometidos nesses tempos de menosprezo pela vida de outrem, esmagado o fraco pelos poderosos sem escrúpulo; então compreenderemos que muitos dos nossos contemporâneos têm de expungir máculas passadas, e tampouco nos admiraremos do número considerável de pessoas que sucumbem vitimadas por acidentes isolados ou por catástrofes coletivas.

O despotismo, o fanatismo, a ignorância e os prejuízos da Idade Média e dos séculos que se seguiram, legaram às gerações futuras uma dívida enorme, que ainda não está saldada.  Assim, muitas desgraças nos parecem imerecidas, somente porque apenas vemos o presente”.

Não falece dúvida que para entendermos que os sofrimentos de hoje prenunciam a felicidade futura torna-se necessário estudar o Espiritismo que explica os mecanismos das Leis Divinas, sempre justas e adequadas.

O Espiritismo, segundo J.J. Rousseau[3], “é a alavanca que afasta as barreiras da cegueira”.

Provavelmente, quando se derem ao cuidado de conhecer a Codificação Espírita, tais descrentes  irão compreender porque o Espiritismo é também conhecido pelo codinome “Consolador”, e, em vez de blasfemar, bendirão e darão graças ao Senhor que permitiu aos sofredores acesso a textos como este[4]:

“(…) Nessa vida tudo tem razão de ser: não há um só dos vossos sofrimentos, que não corresponda aos sofrimentos por vós causados; não há um só dos vossos excessos que não tenha por consequência uma privação; não há uma só lágrima a destilar dos olhos, que não seja destinada a lavar uma falta, um crime qualquer.

Suportai, portanto, com paciência e resignação as dores físicas e morais, por mais cruéis que elas se vos afigurem.

Imaginai o trabalhador que, amortecidos os membros pela fadiga, prossegue no trabalho, porque tem diante de si a dourada espiga, outros tantos frutos da sua perseverança.  Eis  a sorte do infeliz que sofre nesse mundo: a aspiração da felicidade, constituindo-se em fruto de sua paciência, torná-lo-á resistente às dores efêmeras da Humanidade”.

Conhecendo os percalços que teríamos em nosso carreiro evolutivo o Meigo Pastor de nossas almas – amoroso e acolhedor disse[5]: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.  Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para vossas almas; porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.


 


[1] – KARDEC,  Allan. O Céu e o Inferno. 51.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, 2ª parte, cap. VIII, p. 401.

[2] – Mateus, 11:25.

[3] – KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 71.ed. Rio: FEB, 2003, 2ª parte, cap. XXXI, Tomo III, p.455.

[4] – KARDEC,  Allan. O Céu e o Inferno. 51.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, 2ª parte, cap. VIII, p.405.

[5] – Mateus, 11:28 a 30.


Artigo do Jornal Mundo Espírita - Maio/2009