Homossexualidade e educação por Camilo (Espírito)

Conscientemente, a ninguém passará a ideia de dizer quem quer que seja como deverá viver ou deixar de fazê-lo  pelas estradas humanas, quando essas sugestões não venham solicitadas pelos honestamente interessados.

Entretanto, nos dias atuais da Humanidade, não têm sido poucos os que interrogam os amigos encarnados e os desencarnados acerca da situação homossexual de grande con­tingente de homens e de mulheres, de jovens e de idosos, a se multiplicarem nas variadas sociedades terrenas, todos arros­tando tormentos similares e distintas reações, suplicantes uns deprimidos muitos, revoltados tantos, e entregues ao sabor dos ventos das circunstâncias um vasto número.

Provenientes dos recônditos da alma, onde se alocam reminiscências de desrespeito e de crimes hediondos, co­metidos contra as leis morais que são presentes nas consci­ências humanas, ou, por outro modo, decorrentes de proces­sos educacionais deletérios que se apoiaram em inclinações morais deficitárias, ainda não suficientemente amadurecidas para a verdadeira liberdade, os dramas homossexuais têm lugar na intimidade das criaturas, largamente.

Motivados, ainda, por terríveis programas obsessivos, que antigos inimigos desencarnados engendram por vin­gança ou, ainda, decorrentes de perturbações psiquiátricas não devidamente diagnosticadas, explodem quadros homos­sexuais, aqui e acolá.

A situação vem se tornando tão comum que, ao largo do tempo, vem sendo admitida como terceiro sexo ou como opção normal daqueles que assim almejam viver.

Desembocam no estuário dos conflitos da homos­sexualidade infindáveis gravames assinalados nos arquivos extracerebrais, provenientes de passadas reencarnações, quando o abuso do próprio corpo e dos corpos alheios, a agressão à própria constituição emocional e às constituições alheias determinaram os torturantes quadros de agora, na esfera da sexualidade.

Ninguém suponha que tais conflitos não se esten­dam, do mesmo modo, nas esferas heterossexuais, urna vez que os Espíritos que se movimentam sobre a Terra com poucas exceções, carregam complexos problemas na área sexual, carecendo reestruturar-se, renovar-se, a fim de valorizar tão sublime fonte de estesias que a Divindade ensejou as Suas criaturas com o objetivo feliz, na coope­ração junto à obra universal.

O fenômeno homossexualismo, em si mesmo, im­põe aos que por ele estão assinalados, um regime de impe­riosas disciplinas em sentido amplo, capazes de ensejar à alma, se atendidas, bênção de venturas crescentes a proje­tarem luzes de paz, de harmonia para o amanhã.

Quem disse que será crime ou pecado que um ho­mem a outro homem ame?

Onde a condenação para o amor e o afeto entre as mulheres?

O amor, devidamente compreendido, é a energia que nos diviniza, é o traço que nos liga ao Criador, impulsio­nando-nos a espalhar a Sua vontade pelo Universo.

Não cogitamos aqui desse arremedo de amor com que o vulgo resolveu apelidar as práticas carnais do sexo, mas cogitamos desse Amor que é o próprio Deus, que faz com que na sexualidade a criatura humana se torne co-criadora com o seu Criador.

O drama que se instala nas vidas terrenas é que não estão aptos os indivíduos a vivenciarem o Amor que sen­sibiliza a alma, que imprime sentimentos de renúncias felizes, que enleva, que renova, forjando saúde e plasmando vida plena. Amar jamais será desaconselhável seja entre quem for. Não obstante, o homossexual não necessitara mergulhar nos pântanos da pederastia, tampouco as ho­mossexuais carecerão perder-se nos viscos do lesbianismo nas voragens da relação carnal.

Se um companheiro ou uma companheira percebe em si as inclinações homossexuais, que procure identificar nisso os gritos de expiação, induzindo à educação para que a vida seja vitoriosa.

O amor, o enternecimento, a prestação de serviços, a comunhão idealística, tudo isso contribuirá para a gradativa liberdade do ser.

Os serviços da fraternidade junto a um lar de idosos ou de crianças, os labores desenrolados em instituições de atendimentos a enfermos gerais e a doentes terminais, serão excelentes sugestões para quem necessita aplicar as próprias energias na construção de tempos novos de esperança e de paz.

Somente a partir desse esforço educativo, gradativamente alcançado, é que os velhos atormentados pela libido indisciplinada lograrão a saída gradual das frustrações e das tormentas, reconquistando a ventura de viver, olhando de frente os novos tempos de equilíbrio geral.

O Espiritismo, com as suas propostas de traba­lho e renovação e com a sua benfazeja fluidoterapia, associadas aos labores da desobsessão, muito pode ofe­recer, como luminosa contribuição aos que anseiem por revigorar-se no regime de saúde e redenção para as próprias existências.

Entregar-se a práticas irresponsáveis e frustrantes não será o melhor roteiro para quem sonha com as paragens do Reino dos Céus, portas adentro de si mesmo.

Ouve Jesus e busca-O, sempre, uma vez que Ele anun­ciou que os que O buscassem jamais seriam lançados fora[1].

Se te sentes, então, sob o azorrague dessas pelejas, ouve-O e a Ele te entregues, aprendendo, amando sem cessar e trabalhando sem cansaço, enquanto, operoso e sensível, consciente e zeloso da dignidade, aguardas o dia venturoso da liberdade, resgatados os tempos de inconsciência ou de loucuras, quando poderás, por fim, rutilar como gema preciosa na coroa da vida.

 


 


[1] – João, 6:34.


Artigo do Jornal Mundo Espírita - Maio/2009