E nós, como agiremos?

Em importante e derradeiro diálogo, encontrado no capítulo 8, do livro Paulo e Estêvão, de autoria do Espírito Emmanuel, recebido mediunicamente por Francisco Cândido Xavier, que se dá entre Tiago e Paulo, registramos a fala do primeiro:

Muitas vezes o Mestre nos ensinou, na Galileia, que o melhor testemunho está em morrer devagarinho, diariamente, pela vitória da sua causa; por isso mesmo, afiançava que Deus não deseja a morte do pecador, porque é na extinção de nossos caprichos de cada dia que encontramos a escada luminosa para ascender ao seu infinito amor. (…) Importa -nos saber morrer, para que nossas ideias se transmitam e floresçam nos outros. As lutas pessoais, ao contrário, estiolam as melhores esperanças. Criar separações e proclamar seus prejuízos, dentro da igreja do Cristo, não seria exterminarmos a planta sagrada do Evangelho por nossas próprias mãos?

(…)

O convertido de Damasco descansou o rosto na mão direita por longo tempo, dando a perceber a amplitude de suas meditações, e acabou falando em diapasão que traía a sua enorme sensibilidade:

“Tiago, como tu mesmo, atingi hoje um nível mais alto de compreensão da vida. Entendo melhor os teus argumentos. A existência humana é bem uma ascensão das trevas para a luz. A juventude, a presunção de autoridade, a centralização de nossa esfera pessoal, acarretam muitas ilusões, laivando de sombras as coisas mais santas.

Para ambos – Tiago e Paulo, acima de tudo, sempre prevaleceram os interesses da Causa.

E nós, espíritas e trabalhadores espíritas, como temos nos posicionado quanto aos nossos pontos de vista e a Causa Espírita? Entre nossas opiniões e os interesses da Doutrina que professamos? Entre o que queremos e o que devemos fazer? Entre nossas disposições e o de que necessita a Casa para bem seguir em nome da Causa? Somos um problema ou uma solução?

Seguindo com outras indagações, André Luiz, Espírito, conforme capítulo 29, do livro Educandário de Luz, de Francisco Cândido Xavier, nos conclama a também respondermos a nós mesmos:

Que seremos na casa de nossa fé, em companhia daqueles que comungam conosco o mesmo ideal e a mesma esperança?

Um sorriso que ampara ou um soluço que desanima?

Um ramo de flores ou um galho de espinhos?

Um amigo que compreende e perdoa ou um inquisidor que condena e destrói?

Um companheiro que estimula as particularidades elogiáveis do serviço ou um censor contumaz que somente repara imperfeições e defeitos?

Em nossas aprofundadas reflexões, que o momento conclama que se deem com urgência, nos recordemos dos sábios conselhos do paternal Benfeitor Espiritual, Bezerra de Menezes:1 Unamo-nos, amemo-nos, retificando as nossas opiniões, as nossas dificuldades e os nossos pontos de vista, diante de mensagem clara e sublime da Doutrina com que Allan Kardec enriquece a nova era, compreendendo que lhe somos simples discípulos.

E ainda1: Imprescindível que nos unifiquemos no ideal espírita, mas que, acima de tudo, nos unamos como irmãos.

E mais outro2: Solidários, seremos união. Separados uns dos outros, seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos. Distanciados entre nós, continuaremos à procura do trabalho com que já nos encontramos honrados pela Divina Providência.

O Espírito Verdade, reproduzindo as Luzes dos Céus, nos alerta: Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!” Mas, ai daqueles que, por efeito das suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e eles serão levados no turbilhão! (O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, Cap. XX, 5)

A Equipe, portanto, dar-se-á ao labor de atender às abençoadas lutas e necessidades materiais da Casa sem, entretanto, olvidar que, acima de todas as injunções que nos ligam ao templo de pedra, que o tempo abaterá, temos o compromisso de aprender e vivenciar, servir e crescer, assumido com a Causa que, por bênção de Deus, brilha mais alto, sobre todos os nossos pontos de vista e acima de todos nós. 3

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. – Jesus4.

E nós, como agiremos?

1- FRANCO, Divaldo Pereira. Unificação paulatina, união imediata, trabalho incessante… Pelo Espírito Bezerra de Menezes. Reformador, Rio de Janeiro, fev. 1976. (Psicofonia).

2- XAVIER, Francisco Cândido. Mensagem de união – “Unificação”. Pelo Espírito Bezerra de Menezes.Reformador, Rio de Janeiro, nov./dez. 1980.

3- TEIXEIRA, José Raul. A casa e a causa. Cintilação das estrelas. Pelo Espírito Camilo. Niterói: Fráter, 1992. cap. 5.

4- BÍBLIA, N. T. João. Bíblia sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 13, vers. 35.


Editorial do Jornal Mundo Espírita - Julho/2014