Viceja a esperança

Avança o homem na sociedade como um todo.

Avança o movimento espírita, alargando seus horizontes e chegando aos variados rincões da Terra.

Por certo, há muito ainda o que se fazer para uma sociedade melhor e justa. Do mesmo modo, no seio do movimento espírita. A nuvem do crime e da violência, o vapor dos tóxicos e o vírus do sexo em desequilíbrio, a ronda da miséria socioeconômica, permanecem em crescimento, em inúmeros departamentos humanos, consternando os homens de boa vontade.

Aquartelados na cela da ignorância dos postulados espíritas e dos verdadeiros propósitos do Espiritismo no mundo, encontramos aqueles que, dizendo-se espíritas, são agentes da intolerância e da discórdia intramuros nas instituições espíritas. Esses que assim agem são mais espíritas de nome que de fato. No dizer de Allan Kardec [1]: Os mais perigosos inimigos do Espiritismo são, pois, os que o fazem mentir a si mesmos, não praticando a lei que proclamam.

Porém, sabe-se que terapêuticas valiosas se apresentam, buscando debelar esses flagelos destruidores que atormentam a humanidade.

No contexto social, lembra-nos o Espírito Vianna de Carvalho[2]: Há predominância do bem, no mundo hodierno. Os protestos que se verificam, em toda parte, contra os abusos e a delinquência, caracterizam o processo de crescimento da sociedade e a sua ânsia de harmonia.

Milhões de pessoas estão voltadas para a saúde, a educação, o bem, o progresso tecnológico e moral, preparando com sacrifício os novos tempos.

Viceja a esperança, prenunciando o fim destas horas ainda difíceis, vestígios perniciosos da noite que parte em retirada…

No meio espírita, são maioria os que assumiram o compromisso de vencer o mal ainda existente no mundo íntimo, impondo-se o rigor da observância da conceituação kardequiana: Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.

Isso se faz alvissareiro, pois leva ao entendimento de que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, Guia e Modelo para a humanidade.

Do mesmo modo que a visão preclara de governantes, de líderes sociais levaram à queda do muro de Berlim, reunindo novamente os povos, as famílias, os amigos, os espíritas verdadeiros, pela fidelidade aos propósitos do bem, fazem por donde se dê a derrubada dos muros da hostilidade ao seu derredor.

Os verdadeiros espíritas não se esquecem das recomendações do Espírito da Verdade[3]: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!”

Podemos repetir Vianna de Carvalho, agora olhando os grupamentos espíritas: Há predominância do bem, no mundo hodiernoViceja a esperança.

Não nos enganemos, porém, pois que ainda há muito a ser feito em prol da humanidade e em prol do movimento espírita.

São os desafios existenciais.

Em Mateus (5:41), lemos: Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil, nos levando a concluir que nos cabe fazer, cada um de nós, a parte que nos compete. E façamos um tanto mais, pois o amor começa quando termina o dever a ser cumprido.

De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. [4]

Fidelidade até o fim. Testemunhos também.

Continuemos por reescrever a história, incorporando-lhe mais e melhores páginas de progresso, com as letras dos soberanos códigos do amor, da fraternidade e da paz.

Vivamos com coerência e austeridade os ensinos de Jesus, ora revividos na Doutrina Espírita.

Homens, cidadãos e espíritas: alcançaremos o portal do triunfo. Se hoje nos vemos envoltos na noite escura da alma, segundo São João da Cruz, o grande místico espanhol, confiemos em Deus, sabendo que há causas justas para as aflições. Façamos um rápido giro e compreenderemos que se hoje colhemos frutos azedos, é porque abandonamos o pomar das bênçãos ofertados por Jesus.

Ouçamos o Rei Solar, os que tenhamos ouvidos de ouvir: Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. [5]

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. [6]

Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. [7]

E nos diz a Esperança: Sou tua irmã. Sempre estou vigilante e a minha é a missão de jamais abandonar, mudando o que pode e deve ser alterado, a fim de que o triunfo coroe o lutador que me dá as mãos e aceita-me.

O último instante da madrugada é sempre aquele que puxa a manhã pelo braço…

 

 


[1] DISCURSO do Sr. Allan Kardec. Revista Espírita, São Paulo: EDICEL, ano IV, n. 11, nov. 1861.

[2] FRANCO, Divaldo Pereira. Reflexões espíritas. Pelo Espírito Vianna de Carvalho. Salvador: LEAL, 1992. cap. 21.

[3] KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2006. cap. XX, item 5.

[4] BÍBLIA, N.T. Tiago. Português. O novo testamento: português e inglês. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 2, vers. 14-18.

[5] BÍBLIA, N.T. João. Português. Op. cit. cap. 16, vers. 33.

[6] BÍBLIA, N.T. Mateus. Português. Op. cit. cap. 11, vers. 28.

[7] BÍBLIA, N.T. João. Português. Op. cit. cap. 14, vers. 6.


Editorial do Jornal Mundo Espírita - Julho/2015