Sejamos atentos, portanto!

Os que somos agraciados com a notável mensagem da Doutrina Espírita, à medida que vai calando fundo o seu conteúdo, conforme nosso entendimento, de modo natural e espontâneo, vemo-nos num despertamento de ânimo, renovadas esperanças, multiplicadas forças, aclaramento de novos e bons propósitos perante a vida.

Ato contínuo, segundo as oportunidades encontradas, vamos nos engajando nas variadas ações empreendidas pelas Instituições Espíritas, ou em outras com propósitos de benemerência, pois identificamos que na vida, o quadro de necessidades é muito mais amplo do que então imaginávamos.

E o contexto, regado pelos alentadores ensinos espíritas, toma novos contornos, onde podemos nos ver auxiliando ao próximo pelo simples prazer de auxiliar.

É como se estivéssemos ouvindo, pelos ouvidos da alma, a indagação que fez Jesus aos dois discípulos que O seguiam: Que buscais? (João 1:38)

Soa essa interpelação do Senhor como sendo convite às obras em que se afirme a caridade real, reclamando-nos os frutos na colheita do bem.

Convoca-nos à coerência entre o ideal e o esforço, entre a promessa e a realização.

Por essas veredas onde se pratica o Bem incondicionalmente, que foram anunciadas serem o caminho da verdadeira vida, não nos coloquemos surpresos se ombrearmos com alguns andantes que, a rigor, são ainda daqueles referidos por Jesus: Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando. (Mateus, 23:13)

São irmãos em constante luta com o mundo, em face dos seus variados e graves conflitos íntimos. Quase sempre estão contra tudo e todos, mesmo se dizendo seguidores do Cristo.

No entanto, o Mestre por excelência, não deixou de nos alertar a respeito: Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. (Mateus 7:15)

Em outro momento, lecionou o Amigo Inseparável: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. (Mateus 7:21)

E foi Ele que nos disse das diversidades encontradas no caminho: Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes. (Mateus 13:47)

Logo, estamos nós dentre peixes de variada qualidade…

Cabe-nos decidir com quem nos dispomos a caminhar e a quem seguir.

O Espiritismo projeta claridade inconfundível na indicação da melhor escolha, conforme pergunta nº 625, de O Livro dos Espíritos: Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? E a resposta, em uma e monolítica palavra: Jesus.

Os que se fazem adversários gratuitos, contendores de plantão, podem se dizer cristãos, mas, por certo, cristãos sem Cristo, ainda.

Diz-nos Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, cap. XXIX, item 337: Pode-se, pois, estatuir como princípio que todo aquele que numa reunião espírita provoca desordem, ou desunião, ostensiva ou sub-repticiamente, por quaisquer meios, é, ou um agente provocador, ou, pelo menos, um mau espírita, do qual cumpre que os outros se livrem o mais depressa possível. Porém, a isso obstam muitas vezes os próprios compromissos que ligam os componentes da reunião, razão por que convém se evitem os compromissos indissolúveis. Os homens de bem sempre se acham suficientemente comprometidos: os mal-intencionados sempre o estão demais.

Recordemos que: Movimento Espírita é movimento dos homens que se sensibilizaram com o chamamento do Consolador, que deve, por isso mesmo, colocar-se a serviço do Cristo, para que Ele conduza o progresso de todos nós, Senhor que é de todos os movimentos de alevantamento do homem da sua indigência espiritual para os labores do seu próprio aprimoramento.[1]

Há os que destoam. Há os que trazem Jesus nos lábios e a maldade nos corações. Há os que constroem e há os que destroem.

Como nos elucida o Benfeitor Espiritual Camilo[2]: Avaliamos, contudo, que os contendores, estão, quase sempre, defendendo cores e ideias pessoais que, comumente, retratam desajustes emocionais, anseio de domínio ou neuroses várias, consubstanciadas em teimosia injustificada, detendo-se em pontos de vista ou achismos inconvenientes ou caprichosos.

Sejamos atentos, portanto! Optemos por Jesus, incondicionalmente.

Camilo, Espírito, recomenda-nos[3]:

Engajados no Movimento Espírita, será vital que cultivemos:

a fé, com lucidez, sem pieguismos;

o afeto aos irmãos, sem excentricidades desnecessárias;

a caridade, promovendo o carente para que se liberte da necessidade, que ora o atinge;

o estudo permanente, sem descurar de sua aplicação ao contexto da vida;

o entusiasmo com o equilíbrio que contagia e constrói;

o interesse pelo próximo, orientando-o para os próprios compromissos, de modo a vencer as lutas na reencarnação promissora.

O Movimento Espírita, portanto, convoca aos que estamos matriculados nas suas lides para empreendermos o empolgante e responsável trabalho de renovação espiritual da criatura humana, fomentando o progresso e o atilamento, com atenção, onde quer que estejamos.

Lembremos Jesus: Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.(João 13:35)

Louvemos o nome do Senhor, na ação de todos os dias, os que nos apresentamos como verdadeiros espíritas, cristãos com Cristo.

 

 

 


[1] e 3 TEIXEIRA, José Raul. No movimento espírita. Cintilação das estrelas. Pelo Espírito Camilo. Niterói: Fráter, 1992. cap.3.

[2] Op. cit. cap.5.


Artigo do Jornal Mundo Espírita - Ago/2014