Terapia de profundidade por Rogério Coelho

Impossível dissociar dos problemas que afetam a saúde, a presença da obsessão.

Muito mais do que se imagina é a influência dos Espíritos sobre as
criaturas  encarnadas; de ordinário são aqueles que dirigem estas.
O Livro dos Espíritos – q. 459

 Os livros da Codificação Espírita são estudados – exaustiva e profundamente – no Mundo Espiritual em ambientes arejados, agradáveis e harmonizados…  Essas reuniões beneficiam tanto os desencarnados quanto os encarnados que a elas comparecem durante os desdobramentos provocados pelo sono físico.

O nobre mentor Manoel Philomeno de Miranda conta (Trilhas da Libertação p.p. 322-327) que certa feita, o Dr. Carneiro de Campos (Espírito) foi convocado a fazer um estudo desses, com tema sobre terapias, curas e mediunidade.

O lúcido médico começou sua conferência citando texto exarado em O Evangelho Segundo o Espiritismo (cap. XXVI, item 10), no qual o Codificador afirmou:

(…) A mediunidade é coisa santa, e deve ser praticada santamente, religiosamente… E se há um gênero de mediunidade que requeira essa condição de modo ainda mais absoluto é a mediunidade curadora.  O médico dá o fruto de seus estudos, feitos, muita vez, à custa de sacrifícios penosos. O magnetizador dá o seu próprio fluido, por vezes até a sua saúde. Pode pôr-lhe preço. O médium curador transmite o fluido salutar dos bons Espíritos; não tem o direito de vendê-lo.  Jesus e os Seus apóstolos, ainda que pobres, nada cobravam pelas curas que operavam.

Procure, pois, aquele que carece do que viver, recursos em qualquer parte, menos na mediunidade; não lhe consagre se assim for preciso, senão o tempo de que materialmente possa dispor. Os Espíritos lhe levarão em conta o devotamento e os sacrifícios, ao passo que se afastam dos que esperam fazer deles uma escada por onde subam.

A seguir o médico do Espaço ponderou com sagacidade e conhecimento de causa:

(…) A medicina holística, perseguindo a saúde integral, não poderá dissociar do ser humano a im­portante realidade espiritual. Os binômios mente-cérebro, espírito-matéria, que alguns estudiosos exa­minaram individualmente e que outros transforma­ram em uma unidade organicista, deve receber novo enfoque, no qual o espírito, perispírito e maté­ria estejam reunidos num trinômio, a fim de faculta­rem o perfeito entendimento do complexo humano.

Como o Espírito foi criado por Deus essen­cialmente simples e ignorante, a sua fatalidade é a perfeição relativa, que lhe cumpre alcançar etapa a etapa.  À medida que se conscientiza, estabelecen­do os paradigmas de comportamento saudável, desenvolve os valores adormecidos no imo e avança com equilíbrio no rumo do alvo que o aguarda.

Identificando o indivíduo atual como remanes­cente do seu próprio passado, todos os atos pretéritos encontram-se-lhe insculpidos no perispírito, de onde procedem as emanações geradoras de harmo­nia ou desequilíbrio catalogado como tragédia, insu­cesso ou enfermidade. A ação desenvolvida no soma, mesmo quando lhe proporciona refazimento, este é de breve duração, porque a causa geradora prossegue emitindo ondas desorganizadas que afe­tam o conjunto celular, produzindo recidiva ou de­sarticulando outros implementos em áreas diferen­tes, porém vinculadas entre si.  O conhecimento do perispírito e a terapia de profundidade — a mudança mental e comportamental do Espírito reencarnado — tornam-se o ponto-chave do quesito binominal doença-saúde.

Em boa hora os terapeutas da autoestima encaminham os seus pacientes para um trabalho de interiorização psíquica, na tentativa do autodescobrimento, onde se localizam os fatores básicos da sua existência. Após esse autoencontro, torna-se possí­vel a identificação das causas reais dos distúrbios que os afetam. Conhecidas as geratrizes do fenô­meno perturbador, mais factíveis se tornam as provi­dências para a sua erradicação e por via de conse­quência os seus efeitos danosos.

Adicione-se ao perispírito a problemática das alienações mentais e patologias orgânicas que de­correm da influência dos Espíritos enfermos, dos obsessores, gerando distúrbios no campo da energia com as lamentáveis decorrências em forma de doenças. Impossível dissociarmos dos problemas que afetam a saúde, a presença da obsessão. O in­tercâmbio mental entre os desencarnados e as cria­turas humanas é belo capítulo da Ciência Espírita, graças ao qual se demonstram a imortalidade da alma, a reencarnação, a Justiça Divina e a gênese de muitas ocorrências terrestres.

O Espírito é o ser preexistente ao corpo e a ele sobrevivente. O perispírito é o seu envoltório plástico maleável, constituído de energia específica.  E o corpo físico é a condensação da energia primiti­va elaborada pelo Espírito.

Aprofundando-se a sonda no âmago da ener­gia pensante, encontra-se a vida inteligente, estuante, causadora do ser físico.  O reducionismo, que pretende tornar o ser humano um grupamento de células que o acaso reuniu, vai cedendo lugar à visão espiritualista, e esta à compreensão espiritista.  Assim sendo, quanto mais avança a Física Quântica no campo das partículas e subpartículas, mais detém os campos de energia, detectando-a na sua forma primordial.   O conhecimento, portanto, do corpo, das suas necessidades e exigências, leva à identificação do ser profundo que o aciona e o co­manda. Inevitavelmente esse holismo conduzirá à aceitação do ser complexo e à solução dos seus múltiplos desafios na sua viagem.

(…) Antevemos com júbilo o momento em que o homem e a mulher holísticos serão considerados plenamente, quando a paranormalidade se lhes tor­ne um natural sexto sentido, como o Prof. Richet, ao seu tempo definiu a mediunidade.  Quando as facul­dades PSI se tornarem normais e o desdobramento dessas potencialidades parapsíquicas e mediúnicas alargarem os horizontes terrenos, as enfermidades experimentarão terapias menos violentas, menos amputadoras, todas trabalhadas no campo da ener­gia. Nesse sentido, a constatação da psiconeuro-imunologia já enseja a confirmação antecipada dessa perspectiva abençoada.

Nesses futuros a mediunidade exercida com consciência de responsabilidade ofe­recerá valioso contributo para a compreensão do ser holístico.  Esse exercício mediúnico, porém, será com Jesus, não remunerado, não exaltado, destituí­do de estrelismo, de exibicionismo. Tomando cuida­do com o dar de graça o que de graça se recebe, o ínclito Codificador do Espiritismo advertiu, elucidan­do que a mediunidade nobre jamais subirá aos pal­cos e a sua gratuidade, conforme lemos é sempre condição sine qua non para merecer respeito, con­fiança e apoio espiritual relevante.

Trabalhemos todos por esses programados dias do amanhã, oferecendo a nossa cota, na certe­za de que logo chegarão, felicitando-nos, bem como ao planeta que nos tem sido formoso lar-escola de evolução.

Narra Manoel Philomeno de Miranda, através da mediunidade abendiçoada de Divaldo Franco, que o Dr. Carneiro de Campos encerrou a elocução com lágrimas nos olhos e nimbado de luzes siderais dirigindo-se a Jesus em respeitosa e sentida oração nestes termos:

Jesus, Mestre Incomparável: Aqui estamos os Teus discípulos imperfeitos, pois que fazemos apenas e desordenadamente o que nos foi recomendado. Permanece em nós a aspiração de amar e ser­vir mais e melhor. Ajuda-nos a consegui-lo, não obs­tante os nossos teimosos limites.

Muitas vezes temos prometido renovar-nos para ascender, mas apesar disso não nos dispuse­mos a romper as algemas que nos retêm nos char­cos das paixões.  Hoje, no entanto, brilha em nosso íntimo diferente chama de entusiasmo e fé, apontando-nos o rumo libertador.

Desejamos agradecer-Te, Senhor, a incessan­te ajuda com que nos honras. Jamais nos faltou inspiração, apoio e discernimento para agir com equilíbrio. Se houve dificuldades roga­mos misericórdia para os que as geraram.

Abençoa Jesus, todos aqueles que partilharam das nossas preocupações e tarefas, infundindo-lhes ânimo superior e disposição para o bem, especial­mente naqueles que saíram da treva e se dispõem à renovação. Tem piedade deles, os irmãos recém-che­gados da ignorância. Compadece-Te, também, daquel’outros que se demoram na demência do egoís­mo e da presunção, esquecidos de Ti.

Roga a Nosso Pai por eles e por nós, os filhos do Calvário, que nos consideramos ainda.

Despede-nos em Tua paz e prossegue conosco, pois que, sem Ti, é-nos impossível seguir com segurança na direção do porto da paz.  


Artigo do Jornal Mundo Espírita - Out/2012