Lições libertadoras por Joanna de Ângelis

Vigem, lamentavelmente, em alguns círculos da fé cristã, a indevida informação de que Jesus veio à Terra, com especial compromisso para o sacrifício da cruz.

Noutras comunidades, de igual maneira desnorteadas, busca-se acomodação injustificável ao afirmar-se que a regra de ouro, apresentada na montanha, é para ser decodificada e adaptada às circunstâncias modernas, em conclusão aberrante, por eliminar os profundos conceitos morais nela estabelecidos.

Outros grupamentos, também equivocados, asseveram que Jesus suavizou a severidade da lei antiga mediante a proposta edificante do amor.

Em verdade, a cruz na qual se despediu da jornada humana, não foi uma fatalidade imposta, mas Sua escolha, que Ele poderia ou não ter elegido.

Toda a Sua vida foi um hino vivo de lições inesquecíveis, que permanecem aguardando a coletiva aceitação da sociedade, para a conquista inevitável da plenitude.

Ninguém, antes, conseguira sintetizar as lições libertadoras, em período tão breve da existência, como aquele dedicado por Ele ao ministério da palavra, acompanhadas pelos sublimes exemplos, qual O fez.

Nos memoráveis diálogos, Ele sempre exaltou os valores que não eram considerados, numa cultura preconceituosa e prepotente, com sede de poder e de tormentosas vinditas.

Opôs-se com segurança às ilusões do mundo temporal, desde o momento em que optou por um berço de palha, quase em direto contato com a natureza que muito amou, e viveu de maneira compatível com cada palavra e conceito que emitiu.

Enfrentou o farisaísmo dos equivocados, cumpriu todos os deveres impostos aos cidadãos, sem reservar-se nenhum privilégio.

Não temeu a soberba farisaica, nem as injunções adversas que lhe preparavam, mantendo-se acima das misérias humanas.

Cultivou a simplicidade e a pureza, embora a condição de Messias, que preferiu servir a ser favorecido em qualquer circunstância.

Todos os Seus, foram passos firmes na direção do porto da paz, o que culminou pela crucificação, consequência natural da opção pelo amor aos infelizes e excluídos.

Ele não veio atenuar a severidade das leis nem dos profetas. Pelo contrário, submeteu-se-lhes jubilosamente, pois que pagou o tributo devido a César, mas também atendeu os deveres de referência a Deus.

Honrou as sinagogas e o templo, levou-lhes a palavra libertadora enfocada na divina Justiça, sem olvidar a misericórdia e a compaixão do Pai todo amor.

Não transgrediu nenhum dos mandamentos do Decálogo, antes enobrecendo-os com a existência rica de dignidade.

Foi além das recomendações legalmente estatuídas, amando a todos. Enquanto a tradição mandava amar apenas àqueles que os amassem, Ele apontou o patamar elevado ao enunciar: – Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para que vos torneis filhos de Deus… (Lucas, 6:35)

Não há como servir a Deus, desrespeitando os códigos da humana legislação.

Ele dignificou a mulher e abençoou a infância, que não eram tidos em alta consideração; não condenou a adúltera, embora não aprovasse o seu comportamento irregular.

A um jovem rico desejoso de alcançar o reino de Deus, estabeleceu como condição essencial a renúncia a todos os bens terrestres e a adoção de novo comportamento a partir daquele instante…

Jamais se permitiu qualquer desobediência, e, se trabalhou no sábado, violando o estabelecido código de repouso nesse dia, é porque o sábado foi feito para o homem servir e não para a sua inação.

Nunca houve alguém mais submisso aos códigos, alguns injustos, de Israel, que se lhe semelhasse.

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A incomparável mensagem das bem-aventuranças não tem nenhum caráter simbólico. Toda ela é vívida página de ação eloquente em relação aos deveres.

Trata-se de uma exaltação dos que eram rebaixados, de uma advertência aos poderosos, quão equivocados se encontravam e ainda permanecem no engodo.

As imagens fortes continuam sendo vigoroso apelo à humildade real que dignifica, à compreensão que eleva, ao amor que sublima.

Na continuação dos conceitos confortadores, exprobou o adultério, a intemperança, os falsos juramentos, traçando as linhas de uma austera conduta que complementou a Lei e a tradição.

Não somente, porém, enunciou as normativas, mas exemplificou-as, desde a compostura junto aos infelizes como diante dos indivíduos opulentos, do mesmo modo em relação aos rabinos honoráveis que o buscaram.

A regra de ouro é para ser vivida em toda a sua musicalidade extraordinária, e o cristão legítimo não se pode permitir interpretações benignas e complacentes com os vícios e licenças morais da atualidade.

Conhecer Jesus é o passo inicial para viver com Ele a trajetória seguida, a sexta-feira da paixão, o caminho do holocausto em serenidade.

Se te identificas com o Mestre galileu, não te permitas alterar as regras da Boa Nova, que suavizem a marcha, nem te enganes com interpretações benevolentes que anuem com os fugazes prazeres da ilusão corpórea.

Age sempre como Ele o faria, mantendo-te em sintonia com a Sua conduta incorruptível.

Quando alguma adversidade tentar nublar a claridade da tua fé rutilante, alenta-te na evocação de que também Ele foi testado de formas variadas, vencendo-as todas com tranquilidade e harmonia interior.

Nunca te permitas concessões que violam as lições libertadoras que Ele te legou.

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A cruz, na qual Ele expirou, foi o momento culminante para confirmar todos os ensinamentos, parábolas e curas realizadas, demonstrando que a conquista do reino de Deus depende de alta quota de sacrifício e de abnegação. Entretanto, considera que sem a crucificação não teria havido a ressurreição triunfante para coroamento na vida imortal.

Também ressuscitarás após o testemunho.

Exulta, desde agora, e vive Jesus integralmente no dia a dia da tua vilegiatura carnal.


Por Joanna de Ângelis Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 9 de setembro
de 2013, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, BA.
Artigo do Jornal Mundo Espírita - Janeiro/2014