Amor e instrução por Antônio Moris Cury

Em Paris, França, em 1860, o Espírito Verdade recomendou: Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram (O Evangelho segundo o Espiritismo, 131ª edição, 1ª impressão da Edição Histórica, 2013, página 107).

Como se pode ver, o trecho acima reproduzido contém duas instruções de grandíssima importância: os espíritas devem se amar e se instruir. Nada obstante a recomendação tenha sido dirigida aos espíritas de modo específico, por estar contida em uma das obras basilares da veneranda Doutrina, aplica-se a todas as pessoas, sem nenhuma dúvida e a toda evidência.

Com efeito, já sabemos firmemente que o amor é a lei maior da vida, uma vez que o ensino máximo de Jesus foi lançado na célebre, milenar e sintética sentença: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, sabendo-se que quem ama ao próximo como a si mesmo estará, exatamente por esse motivo, amando a Deus sobre todas as coisas. Amar ao próximo como a si mesmo é, em outras palavras, fazer a ele o que gostaríamos que ele nos fizesse. Com esta sentença, Jesus, o Cristo, Modelo e Guia da Humanidade, nosso Mestre, irmão e amigo de todas as horas, resumiu toda a lei e os profetas.

Como é público e notório, os Seus ensinamentos permanecem absolutamente atuais, sem sofrer qualquer modificação, a despeito de muitos séculos decorridos. E, que não se perca de vista, a própria História foi dividida entre Antes e Depois de Cristo.

Por isso, independentemente de crença, cor, raça, condição social, no dia em que os seres humanos tiverem mais amor na mente e no coração a vida no planeta Terra será melhor, muito melhor. Um ótimo começo será cada um procurar fazer a sua parte do melhor modo possível, com zelo, com dedicação, com qualidade, com respeito e, naturalmente, com amor.

Por outro lado, a instrução é de enorme importância. Em geral, começamos pela leitura, passamos ao estudo em busca do aprendizado [a melhor maneira de aprender é a da repetição], do conhecimento e de sua consolidação, da reflexão e de sua aplicação prática.

A propósito, o jornal Mundo Espírita do mês de setembro de 2013, em sua última página, reproduziu interessante matéria da Revista Bons Fluidos [Editora Abril, edição nº 125 de agosto de 2009] que aponta nove maneiras de incentivar seu filho a ler, a saber: 1. Leia sempre. É bom para você e excelente para o seu filho, que seguirá seu exemplo naturalmente. 2. Dê livros ou revistas de presente. 3. Leia e conte histórias desde bebê – pesquisas comprovam que o contato com narrativas otimiza o futuro desempenho. É importante usar a emoção. 4. Estimule atividades que precisem da leitura – jogos, receitas, mapas… 5. Repita a leitura do mesmo livro quantas vezes ele quiser. 6. Deixe os livros ao alcance das mãos para que ele folheie, veja as figuras e invente histórias. 7. Leve-o para explorar as bibliotecas próximas de sua casa. 8. Reserve um horário do dia para a leitura e transforme esse tempo em um momento de prazer – pode até estourar pipoca! 9. Comente o livro com ele e o incentive a contar a história a alguém.

Formidável! Deveras importante. A leitura é um hábito, um feliz hábito que, uma vez incorporado ao nosso dia a dia, passa a fazer parte integrante e inseparável de nós, muitas vezes, até mesmo de maneira imperceptível, a exemplo do que também acontece com a respiração, tal a naturalidade com que ocorre.

Conveniente relembrar que a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos, na excelente definição de Allan Kardec, em comentário pessoal, logo após a questão 685 de O Livro dos Espíritos, a obra fundamental do Espiritismo.

Neste ponto, importante registrar que grande contributo à reflexão é a leitura edificante, especialmente de livros. Com efeito, quem lê: melhor escreve, melhor fala, melhor ouve, melhor vê, melhor compreende…

Assim sendo, é de todo conveniente que ampliemos o nosso índice de leitura, de instrução, de modo muito especial no que tange às obras da veneranda Doutrina Espírita, que se sustenta na lógica e na razão, o que facilmente se comprova por sua insuperável definição de fé: Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade (encontrável na página de abertura de O Evangelho segundo o Espiritismo).

Logo, a um só tempo, estaremos lendo e refletindo. Não é demais enfatizar que a leitura amplia todas as nossas condições, particularmente às ligadas ao raciocínio, no mínimo, pela ampla possibilidade de associação de ideias e de fazer comparações.

Parece clara, assim, a necessidade de aumentarmos os níveis de instrução, de estudo, de reflexão, de conhecimento, de modo continuado e permanente. Ler, estudar, refletir, aprender, aplicar. Hábitos que todos podemos e devemos cultivar sempre, visto que, como bem o sabemos, somos imortais e indestrutíveis, isto é, viveremos para sempre, ora no corpo físico ora fora dele, daí a grandíssima importância da instrução e do amor.

   


Por Antônio Moris Cury
Artigo do Jornal Mundo Espírita - Janeiro/2014