A conspiração do silêncio por Joanna de Ângelis

Na Antiguidade ficava envolta em mistérios, somente acessíveis aos iniciados, constituindo a doutrina secreta ministrada nos templos por sacerdotes especializados.

Sempre quando se fazia revelar, de imediato era oculta à curiosidade popular e, muitas vezes, mantida em segredo, de que se utilizavam muitos para a exploração ignóbil, tornando-se seus intérpretes, porém, de acordo com os próprios interesses.

Condenada por inúmeros governantes e temida por incontáveis deles, era manipulada pela astúcia e habilidade de mistificadores que exploravam a credulidade geral, ameaçando ou liberando de penas que eles próprios elaboravam, a fim de inspirar temor e respeito.

Mesmo com o advento da mensagem de Jesus, os Seus adversários denunciavam-na como interferência demoníaca, teimando em ignorar a sua legitimidade, assim comprazendo-se na irresponsabilidade.

Depois de Jesus, passou a ser objeto de teólogos nem sempre honestos e convictos da sua realidade, para envolvê-la em fantasias do sobrenatural distante do elevado significado de que se reveste.

Durante longo período na noite medieval foi severamente perseguida, sem que a perversidade dos insanos inimigos conseguisse diminuir-lhe o brilho e a fascinante significação.

Ao Espiritismo coube o elevado mister de desvelá-la, tornando-a anelada e  oferecendo as diretrizes austeras e seguras para a conquista dos benefícios dela advindos durante a existência planetária.

Evocando-a na ressurreição triunfante de Jesus após a dolorosa crucificação, a imortalidade do Espírito é a mais grandiosa revelação do conhecimento humano, que proporciona esperança e alegria de viver.

Por mais que os amigos desejassem acreditar que Ele voltaria do silêncio do túmulo, após a morte infamante, ei-lO glorioso, irradiando mirífica luz, que demonstraria ser Ele o Senhor dos Espíritos e o Guia da Humanidade.

Embora a ignorância e a má fé de incontáveis personalidades que se iludem com a transitoriedade carnal, a imortalidade é a vida que se encontra ínsita em todos, seja na frágil organização física ou na deslumbrante libertação mediante o fenômeno inevitável da desencarnação.

A ruptura da conspiração do silêncio em torno da vida-além-da-vida orgânica, oferece a certeza do sentido psicológico superior da existência terrena, como escola de aprimoramento moral, objetivando a plenitude a que todos aspiram.

Impossível, portanto, silenciar a verdade e impedir que os imortais comuniquem-se com as criaturas humanas, a fim de adverti-las e orientá-las quanto ao significado existencial.

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Embora alguns subterfúgios, que ainda permanecem em torno dos vigorosos fenômenos mediúnicos que atestam a sobrevivência do Espírito à desagregação molecular, uma nova consciência surge na sociedade, para contribuir significativamente para a conquista do bem-estar permanente, para a superação do medo da morte.

Desmistificada, ao invés de significar a fatalidade aniquiladora, torna-se o anjo libertador do fardo do sofrimento e faculta o voo pleno pelo infinito.

O limite a que se está acostumado, durante a jornada berço a túmulo, amplia-se, ante a visão majestosa do Universo, com os seus sextilhões de astros, que são outras tantas moradas da Casa do Pai.

Incontestavelmente, uma existência corporal é insignificante ante a magnificência do Cosmo, de modo que a aceitação desse pequeno périplo diminui a majestade do Criador.

Lentamente, pois, e com segurança, a conspiração do silêncio em torno da imortalidade cede lugar à convicção da vida após o túmulo, graças à fenomenologia mediúnica presente em todos os segmentos da sociedade.

Ao mesmo tempo, o sofrimento que alcança todos os indivíduos, após as jornadas pelos gabinetes da ciência encarregada de atenuar-lhes a dor e diminuir-lhes o desespero, encontra nas nobres elucidações espíritas o reconforto e o ânimo para os enfrentamentos que decorrem das condutas antes vivenciadas, conforme elucida a reencarnação.

As psicoterapias transcendentais ora aplicadas encontram na imortalidade do Espírito e nas suas várias reencarnações os recursos valiosos para os transtornos de comportamento e os de natureza mental, por elucidar a anterioridade da vida ao corpo atual, quando foram assumidos compromissos ultrajantes que agora têm necessidade de ser reparados.

Nada acontece quando não existe uma causa anterior.

A lei, portanto, de causa e efeito, que responde pelos acontecimentos felizes ou desditosos que têm lugar no mundo de hoje, como no de todas as épocas, convida o ser humano  à responsabilidade lúcida e consciente por necessidade de despertar para a própria realidade.

Já não há tempo para o escamotear da verdade, quando a comunicação virtual e o conhecimento de algumas leis universais deslumbram todos aqueles que se permitem o esclarecimento e buscam a libertação das algemas da intolerância de qualquer natureza, assim como da castração espiritual ainda vigente em algumas doutrinas religiosas.

Este é o momento do autoencontro, da autoconsciência, da comunhão com Deus.

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A busca da verdade, por fim, conduz o indivíduo à plenitude, rompendo o véu da ignorância e do medo em torno da transcendência e grandeza da vida, que deve ser experienciada com inefável alegria.

As dores e as ocorrências afligentes são acidentes do programa evolutivo que, de maneira nenhuma interrompem o fluxo do desenvolvimento da inteligência e da moral.

Jesus havia anunciado a Era Nova de conhecimentos e de felicidade que a Terra experimentaria.

Assim, pois, são estes os dias anunciados graças ao Consolador, que Lhe veio repetir os ensinamentos e dizer coisas novas que no Seu tempo não podiam ser reveladas, por falta do entendimento científico em torno da existência, assim como o das leis universais.


Joanna de Ângelis.
Psicografia do médium Divaldo Pereira Franco,
na noite de 16 de novembro de 2013, em Leiria,
Portugal, no Congresso Espírita Português.
Artigo do Jornal Mundo Espírita - Março/2014