Disposição sempre! por Rogério Coelho

No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. Jesus (Jo, 16:33).

Fatores negativos internos e externos conspiram o tempo todo para o insucesso dos trabalhos na Seara do Cristo. Em especial, o trabalhador espírita se defronta com escolhos e pedrouços de variegado matiz, até mesmo (e principalmente) dentro dos arraiais espiritistas.

Uma técnica muito utilizada, com razoável sucesso, pelos Espíritos inimigos da Luz, no sentido de levar o trabalhador do Bem ao descoroçoamento é realçar-lhe, através de induções magnéticas, as limitações e pequenez. Assim, trabalhadores denodados, que enfrentam com desassombro as mais duras provas e expiações e mantêm-se firmes ante as mais formidandas procelas morais, se entregam ao desânimo quando dão passividade às sugestões dos Espíritos maus que lhes insuflam as ideias perniciosas de que não são detentores de suficientes valores morais para o trabalho no Bem com Jesus.

Impregnados pelos vapores anestesiantes das vibrações malsãs desses Espíritos menos esclarecidos, declaram-se inabilitados para as tarefas nobilitantes e redentoras, enviscando-se no tédio, perdendo, consequentemente, as oportunidades nas horas vazias a que – inermes – se entregam, para gáudio dos obsessores.

Para que possamos reverter tal estado de coisas, todas as vezes que sentirmos a ronda dessas sugestões anestesiantes, busquemos revigorar as nossas disposições no bálsamo da oração e, por certo, o auxílio do Mais Alto não nos será negado…

Outra medida mágica e infalível, ao nosso alcance, é perlustrar as páginas dos livros de autoria da mentora espiritual Amélia Rodrigues, da lavra mediúnica de Divaldo Franco, que exalam o renovador perfume do Evangelho, impregnando-nos de ânimo, alegria e disposição…

Provavelmente prevendo as variadas dificuldades dos trabalhadores espíritas nesse início do Terceiro Milênio, Joanna de Ângelis enviou – pela mediunidade de seu tutelado – em 1978, a obra intitulada: Rumos libertadores.

São duzentas e trinta e oito páginas, que formam sessenta capítulos de puro ânimo, otimismo e esclarecimentos para auxiliar-nos no enfrentamento de toda e qualquer dificuldade do caminho…  Com belíssima capa policromática, suas lições são verdadeiras vacinas contra o desânimo.  Os títulos muito sugestivos, entre outros, são: Entusiasmo e ação consciente; Aflição e consolação; Conflitos íntimos; Instar no Bem; Responsabilidade e fuga; Não desistas; Dor, tentação e perseverança; Perseguidores espirituais; Desalento; Decisão firme.

Deleitemo-nos com uma delas intitulada:

Insatisfeito, mas perseverante

Aturdes-te ante os impositivos renovadores. Sem poderes sopitar a amargura,  experimentas tédio indefinível que te lanha a alma com rudes relhos, a estrugirem comandados pela vigorosa mão da insatis­fação.

Não identificando os fatores causais, porque ho­nesta a tua sede de paz e de felicidade, sofres agonia sem palavras e procuras fugir, inconscientemente embora, aos compromissos novos.

 E repassas os conceitos de ventura, mediante as vinculações com as expressões imediatistas da forma, agradáveis, porém, breves, como se a ausência desta e daquela posse, sempre secundárias, te constituísse valor de alta monta, não obstante já disponhas do que é mais importante.

Necessário e urgente que faças uma revisão de conceitos: a posse, normalmente, esmaga aquele que se supõe possuidor.

 Joias, dinheiro, moradias, objetos, apesar de necessários em certas ocasiões, transitam de mãos, raro sobrevivendo aos seus enganados possuidores…

Indaga aos que se locupletam no prazer e de coisas se repletam, se estão felizes, e eles responderão que estão ansiosos, senão cansados…

As amizades, lavradas nas bases das posições dominantes no mundo, viajam, também, com as posições, os cargos, os destaques, quando estes mudam de pessoa ou de lugar.

Interroga aqueles que deixaram os postos enga­nosos a respeito do apreço dos que os bajulavam, à hora do destaque político, econômico ou social, e eles te afirmarão que hoje tragam lágrimas salgadas de desencanto, suportando o pesado fardo da ingratidão, o ácido dos remoques e das zombarias dos que antes lhes disputavam um lugar ao lado ou as migalhas nas mesas fartas da aparência mundana…

Examina o amor, que parece tão importante ape­nas do ponto de vista da sexualidade, quase sempre confundido com as paixões dissolventes e propõe in­dagações aos protótipos do gozo, da beleza e mode­los da forma como se encontram, e descobrirás, se te forem honestos, a mudança da face, normalmente aberta em sorriso profissional, transformada em ríctus de amargura, asseverando que seguem frustra­dos, incompletos, e que prefeririam, se pudessem, ou­tro tipo de vida…

Segurança, na Terra, ninguém tem, por enquanto. Isto porque, aqui nos encontramos em reforma, e aprendizagem, em aquisições de experiências, conquista de valores.

Segurança legítima é amar – doando-se; confiar – servindo; esperar – perdoando.

 Há tempo para cada realização: num momento o alicerce, depois o edifício; hoje a sementeira, amanhã a messe de luz…

*

Fruirás, sim, a paz por que anelas, e defrontarás a plenitude em ti mesmo, que hoje te falta.

Não te aflijas pelo amanhã, nem te afadigues sob tormentos perfeitamente superáveis.

 Jesus ensinou-nos a descobrir os ínsitos valores de nós mesmos e estimulou-nos a transformá-los em estrelas fulgurantes, clareando a noite da nossa atual conjuntura.

Não te entregues, portanto, à desnecessária afli­ção.

Espera e ama desde hoje. Logo mais estarás tran­quilo e feliz com o Cristo, a quem já começas a sentir no imo d´alma.

Estudando Kardec e vivenciando os ensinamentos de Jesus, nossa atual romagem terrestre terá tudo para produzir bons e sazonados frutos!

 


Por Rogério Coelho
Artigo do Jornal Mundo Espírita - Maio/2014