Trabalhador e trabalho por Sandra Maria Borba Pereira

Quando o servidor está pronto o serviço aparece.

A conhecida e sempre utilizada expressão contida no livro Nosso lar, de André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier é o mote desta página.

No vasto campo das atividades religiosas, é necessário que o servidor de Jesus tenha certa prontidão, para a execução das tarefas,  que o Senhor lhe  destinou, nas várias instituições que evocam Seu nome. Não deveria o trabalhador agir através do improviso ou desleixo nas atividades, pois essa atitude deporia contra ele e a instituição. Preparar-se através da aquisição de saberes, competências, habilidades, valores e convicções será sempre uma necessidade para todo candidato a servidor, na ampla seara das realizações superiores, que o Mestre nos convida a cooperar.

No entanto, podemos também refletir sobre o conceito de André Luiz em outras perspectivas. Vejamos então: quando os dirigentes de uma instituição religiosa são pessoas prudentes, comprometidas e convidam alguém para assumir uma tarefa, devem possuir uma prévia avaliação das condições do candidato, uma espécie de perfil, antevisto, ou expectativa, despertada pelas características do futuro trabalhador em foco. Mas, e quando os companheiros, detentores de condições favoráveis e perfil adequado à tarefa, não aceitam ou demonstram até uma posição de rejeição quanto a assumir encargos decorrentes dos cargos (necessários)? O que fazer?

Ao longo desses anos de militância, no Movimento Espírita, temos ouvido falar de trabalhador-promessa  e de trabalhador-desertor, em suas tarefas. Mas, o Movimento prossegue com as casas espíritas abertas para atender à multidão dos necessitados. É nessa hora que surgem os trabalhadores-tarefeiros,  desejosos e dispostos a servir, ainda que não sejam os que apresentam as melhores condições ou o perfil mais apropriado às tarefas, para as quais  foram  convidados. São os trabalhadores esforçados, dedicados, mesmo sem todas as credenciais, que outros apresentam, mas que se esquivam do compromisso com a Causa.

Na curiosa página O Anjo, o Santo e o Pecador, o Espírito Irmão X, pela mediunidade de Chico Xavier, na obra Contos desta e da outra vida (editora FEB), nos remete à reflexão de que nem sempre os chamados se tornam escolhidos, pois não desejam ou, por outro motivo que seja, não assumem ou atendem a certos chamados ou convites na seara das lutas.  Graças, porém, ao esforço e desejo de servir, aqueles que não estão devidamente prontos  mas que, convidados (pela desistência ou negação dos prontos), aceitam a tarefa, recebem a bênção da oportunidade da formação em serviço e da busca constante de seu aperfeiçoamento próprio e na tarefa a desenvolver.

Fiquemos, pois, com algumas perguntas para nossa reflexão: Que trabalhadores somos ou que trabalhadores estamos procurando ser? Somos só promessas? Desertamos das tarefas a que fomos convidados a colaborar?  Somos candidatos ao serviço redentor, porque temos em nós o desejo sincero de trabalhar e servir, através de nossa própria autoiluminação, no aproveitamento da sublime oportunidade de constar das fileiras dos servos do Senhor?

Que Jesus, o Trabalhador Incansável, que nos convoca à cooperação, possa nos auxiliar a buscar a fidelidade a Deus, pelo esforço constante, no serviço do Bem, ainda que trazendo as marcas das imperfeições morais, mas, igualmente, pelo reconhecimento de nossa condição de criaturas destinadas à luz, necessitadas do exercício de servir e trabalhar, por nós e pelos outros, na construção de um mundo melhor.

 Do livro Cotidiano em Reflexões Espíritas, edição FEP, no prelo.

   


Por Sandra Maria Borba Pereira
Artigo do Jornal Mundo Espírita - Agosto/2014