O valor do Espiritismo em nosso dia a dia por Antônio Moris Cury

Quem teve a oportunidade de ler, estudar, refletir e aprender os postulados, os conceitos, as ideias, a argumentação desenvolvida e detalhadamente explicada nas obras fundamentais do Espiritismo (O Livro dos Espíritos – fundamental por todos os títulos -, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Gênese, e as demais obras do Codificador como a Revista Espírita (os doze primeiros volumes), O que é o Espiritismo e Obras Póstumas) sem sombra de dúvida passou a conhecer e a compreender os ensinamentos cristãos de forma diferenciada, com rigorosa interpretação à luz da razão, da lógica, do bom senso e, por consequência, começou a se empenhar para ser uma pessoa melhor a cada dia, voltada para o Bem e para a sua prática permanente, útil onde quer que se encontre e, certamente, mais fraterna, tolerante, compreensiva, agradável, otimista, confiante e feliz.

Com efeito, quem assim procedeu tem a convicção de que é um Ser Espiritual, de origem divina, criado simples e ignorante [sem saber, tal como detalhado na questão 115 de O Livro dos Espíritos], compreendeu e, portanto, tem certeza de que é imortal e indestrutível; que viverá para sempre, ora no corpo físico (no plano material) ora fora dele (no plano espiritual); e, pelo entendimento da reencarnação [reencarnar, literalmente, significa: entrar de novo na carne], percebeu com solar clareza que várias são as existências, que se desdobram, mas a Vida é uma só.

Livremente convictos, até mesmo porque o Espiritismo nada impõe a ninguém [a convicção, em geral, se obtém através da leitura, do estudo e da reflexão aliados à aplicação dos filtros da lógica, da razão e do bom senso], passaremos a observar e a perceber a Vida de modo completamente diferente, pois, uma vez que viveremos para sempre, torna-se inadiável a mudança de nosso comportamento, de nossa postura e compostura, de tal modo que passemos a enxergar no próximo um irmão [que também está a caminho, exatamente como nós] e procuremos fazer a ele o que gostaríamos que ele nos fizesse, com o que estaremos pondo em prática, ainda que em parcela mínima, o ensino máximo de Jesus, o Cristo, que há cerca de dois mil anos sintetizou toda a lei e os profetas na célebre sentença: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Assim, cabe-nos agir com seriedade, com dignidade, com dedicação, com honestidade, com ética, com respeito a todas as pessoas, inclusive às crianças, independentemente de cor, sexo, etnia, condição intelectual, econômica ou social, com ou sem religião etc.; valorizar o Trabalho (que é uma Lei Natural e que, por si, contribui de forma acentuada para o nosso aperfeiçoamento pessoal); estudar de forma contínua e permanente; bem atender a nossa família (o primeiro e maior compromisso de cada criatura encarnada na Terra) e, sobretudo, procurar viver com amor na mente e no coração (o Amor é a lei maior da Vida), com opção pelo Bem, sempre, em qualquer circunstância e em qualquer situação.

A propósito, como tivemos ocasião de escrever no artigo intitulado Pai: a importância de servir de exemplo, publicado no jornal Mundo Espírita do mês de agosto de 2014: Trabalho, honestidade, ética, dignidade, dedicação, opção pelo Bem, amor. Virtudes, qualidades, características que todos podemos e devemos conquistar, exercer e transmitir [não esqueçamos que sempre é tempo de começar ou de recomeçar] pelo exemplo e, sobretudo, pelo próprio exemplo.

É mais que evidente que seremos os primeiros beneficiários deste novo modo de agir, de proceder. Como se não fosse suficiente, não podemos esquecer que cada um terá que dar conta de sua administração. Não se admite transferência neste compromisso, sob qualquer condição ou pretexto. É individual, inalienável, personalíssimo. Como a Vida é contínua e permanente (uma vez que saímos do corpo, mas não saímos da Vida) a prestação de contas, ainda que ocorra somente perante a nossa consciência, é uma decorrência natural, deveras importante e indispensável. A Consciência, como sabemos ou intuímos, é o grande Tribunal de cada um de nós. E, ainda, mas não menos relevante, a cada um será dado ou concedido de acordo com as suas obras [e não de conformidade  com o seu discurso].

Por estas ligeiras observações, acreditamos, pode-se perceber o grande, o grandíssimo valor do Espiritismo em nosso dia a dia, em nossa vida, com seu extraordinário e nobre efeito transformador, a começar pelo fato de que, conhecendo-o e estudando-o sempre, nos tornamos pessoas melhores [uma de suas bandeiras: a de tornar melhores as pessoas que o compreendem - Revista Espírita, julho de 1859] e, exatamente por esta razão, mais felizes desde agora, aqui mesmo nesta Escola chamada Terra, em que nos encontramos matriculados.


Por Antônio Moris Cury
Artigo do Jornal Mundo Espírita - Novembro/2014