A importância de Chico Xavier para o Espiritismo por Luiz Henrique da Silva

A importância de Chico Xavier para o Espiritismo

Com contribuições de Luiz Henrique da Silva, membro do Conselho Federativo Estadual (FEP).



Espíritas de todo o país, e até do exterior, se reuniram no 3º Congresso Espírita Brasileiro para relembrar o notável médium espírita, respeitado por seguidores das mais diversas crenças. Com o tema “Chico Xavier: Mediunidade e Caridade com Jesus e Kardec”, o evento reuniu cerca de cinco mil congressistas no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF). Além de internautas que acompanharam pela televisão on-line do Conselho Espírita Internacional (www.tvcei.com).

O congresso foi aberto pelo presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), Nestor Masotti. Participaram ainda o Secretário Geral do Conselho Federativo Nacional da FEB, presidentes das 27 entidades federativas estaduais, o filho adotivo de Chico Xavier, Eurípedes Higino dos Reis, e autoridades nacionais, como o Vice-Presidente da República José de Alencar (ele já representa todos os outros).

O congresso teve momentos marcantes como o lançamento nacional da moeda e do selo comemorativos do centenário de nascimento de Chico Xavier. Contou com diversas palestras, com destaque para as dos médiuns Divaldo Franco e Raul Teixeira, dois grandes divulgadores do Espiritismo, que relembraram a convivência com Chico e o digno trabalho do apóstolo da mediunidade. A psicografia de Chico foi rememorada numa linha do tempo e houve o lançamento de uma edição especial de “Parnaso de Além Túmulo”, a primeira obra psicografada por ele, que reúne poemas de grandes escritores desencarnados e foi lançada em 1932 pela FEB.

Na véspera do Congresso, as comissões regionais (Norte, Nordeste, Centro e Sul) do Conselho Federativo Nacional da FEB realizaram reuniões conjuntas para apresentação do andamento do Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro até 2012.

Projeto Centenário de Chico

O 3º Congresso Espírita Brasileiro faz parte do “Projeto Centenário de Chico”, provado pela FEB em 2008 com o objetivo de enfatizar a obra de Chico Xavier, contribuindo para preservação de sua memória. O projeto segue até novembro deste ano e sua programação está no site: www.100anoschicoxavier.com.br/index.html.

Esse destaque à memória de Chico é uma forma delicada e respeitosa de conservar vivo o seu exemplo de bondade, mas também de relembrar sempre sua contribuição imprescindível para a Doutrina Espírita, que ele ajudou a ampliar, mantendo-se fiel aos princípios de Allan Kardec. Sobre a importância dele para o Espiritismo, Divaldo Franco comenta em entrevista ao Programa Transição, disponível no site www.programatransicao.tv.br :

“A mais relevante. Podemos dizer que o Espiritismo no Brasil teve duas fases: aquela que chega ao momento do Pinga-Fogo, pela antiga Rede Televisão Tupi e aquela que começa depois do Pinga-Fogo. Ali foi um divisor de águas. A presença do venerando médium na rede de televisão comoveu todo o país. Entrevistadores notáveis, portadores de profundos conhecimentos e variados, entrevistaram-no longamente e as suas respostas ricas de sabedoria, sob inspiração de seu guia espiritual Emmanuel, sensibilizaram a opinião pública, tornando-se essa entrevista um marco histórico. A partir dali, o Espiritismo passou a ganhar mais respeitabilidade, pela figura honesta desse trabalhador incansável de Jesus. É exatamente quando começa o grande correio do mais além e as mensagens dos desencarnados vem trazer conforto a centenas de familiares que acorrem a Uberaba na expectativa de ter a certeza da sobrevivência do Espírito ao fenômeno da morte. A partir de então, não somente a mediunidade de Chico Xavier, que havia passado por vários, inúmeros e constantes testes, sempre saindo vitoriosa pela sua pulcritude e legitimidade, passou agora a ser um verdadeiro conforto para todos que, nas memoráveis reuniões de sextas-feiras e sábados, estavam sempre ali para receber o pábulo da misericórdia divina, através das cartas que vinham do além”

Contribuiu com a doutrina provando a imortalidade da alma, a justiça divina e a reencarnação. E o fez com tanta nobreza que serve ajudou ainda ao Movimento Espírita, isto é, o conjunto dos trabalhadores da doutrina. Para esses, a contribuição de Chico, segundo Divaldo, é : “O exemplo”.

Simplesmente Chico

Para falar dele, o melhor é remeter-se à resposta da questão 918 de “O Livro dos Espíritos”:

“O Espírito prova a sua elevação quando todos os atos de sua vida corporal representam a prática da lei de Deus e quando compreende antecipadamente a vida espiritual. O verdadeiro homem de bem é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua maior pureza. Se interroga a própria consciência sobre os atos que praticou, perguntará se não violou essa lei, se não fez o mal, se fez todo o bem que podia, se ninguém tem motivos para se queixar dele, enfim, se fez aos outros tudo quanto queria que os outros lhe fizessem.

Imbuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar recompensa, e sacrifica seus interesses à justiça.

É bondoso, humanitário e benevolente para com todos, porque vê irmãos em todos os homens, sem distinção de raças, nem de crenças.

Se Deus lhe concedeu o poder e a riqueza, considera essas coisas como um depósito de que deve usar para o bem, e disso não se envaidece, por saber que Deus, que lhe deu tudo isso, também poderá retirá-los.

Se a ordem social colocou outros homens sob a sua dependência, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus. Usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho.

É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que ele mesmo precisa da indulgência dos outros e se lembra destas palavras do Cristo: Aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra.

Não é vingativo: a exemplo de Jesus, perdoa as ofensas, para só se lembrar dos benefícios, pois sabe que será perdoado na medida em que houver perdoado.

Respeita, enfim, em seus semelhantes, todos os direitos que as leis da Natureza lhes concedem, como gostaria que respeitassem os seus.”

Chico foi esse exemplo. Os mais de 400 livros que psicografou favorecem reflexões para todos em relação aos comportamentos diários. O momento que ora se vive no planeta não é mais do discurso e sim da prática, da vivência da caridade, conforme ensina Jesus na questão 886 de O Livro dos Espíritos, e que Chico souber viver diariamente.

Portanto, as homenagens ao médium espírita devem ser manifestadas com as ações no bem. Somente assim é possível corresponder às dádivas recebidas de Deus, nosso pai, e de Jesus, nosso modelo e guia. Vamos aproveitar este momento especial para arregaçarmos as mangas e nos voltarmos ao trabalho do bem, quer seja na Casa Espírita, quer seja na sociedade de forma geral. Mãos à obra !